22 fevereiro 2011

Vale a pena investir....

Vale a pena investir em relações falidas??

Não quero defender as relações falidas e que só fazem mal, nem estou sugerindo que as pessoas insistam em sentimentos que não são correspondidos, em relacionamentos que não são recíprocos, mas quero reafirmar a minha crença sobre o quanto considero válida a coragem de recomeçar, ainda que seja a mesma relação; a coragem de continuar acreditando, sobretudo porque a dor faz parte do amor, da vida, de qualquer processo de crescimento e evolução.
Pelas queixas que tenho ouvido, pelas atitudes que tenho visto, pela quantidade de pessoas depressivas que perambulam ocas pelo mundo, parece que temos escolhido muito mais vezes o “nada” do que a “dor”.
Quando você se perguntar “do que adianta amar, tentar, entregar-se, dar o melhor de mim, se depois vem a dor da separação, do abandono, da ingratidão?”, pense nisso: então você prefere a segurança fria e vazia das relações rasas?
Então você prefere a vida sem intensidade, os passos sem a busca, os dias sem um desejo de amor?
Você prefere o nada, simplesmente para não doer?
Não quero dizer que a dor seja fácil, mas pelo amor de Deus, que me venha a dor impagável do aprendizado que é viver.
Que me venha a dor inevitável à qual as tentativas nos remetem. Que me venha logo, sempre e intensa, a dor do amor...
Prefiro o escuro da noite a nunca ter me extasiado com o brilho da Lua...
Prefiro o frio da chuva a nunca ter sentido o cheiro de terra molhada...
Prefiro o recolhimento cinza e solitário do inverno a nunca ter me sentido inebriada pela magia acolhedora do outono, encantada pela alegria colorida da primavera e seduzida pelo calor provocante do verão...
E nesta exata medida, prefiro a tristeza da partida a nunca ter me esparramado num abraço...
Prefiro o amargo sabor do “não” a nunca ter tido coragem de sair da dúvida...
Prefiro o eco ensurdecedor da saudade a nunca ter provado o impacto de um beijo forte e apaixonado... daqueles que recolocam todos os nossos hormônios no lugar!
Prefiro a angústia do erro a nunca ter arriscado...
Prefiro a decepção da ingratidão a nunca ter aberto meu coração...
Prefiro o medo de não ter meu amor correspondido a nunca ter amado ensandecidamente.
Prefiro a certeza desesperadora da morte a nunca ter tido a audácia de viver com toda a minha alma, com todo o meu coração, com tudo o que me for possível...
Enfim, prefiro a dor, mil vezes a dor, do que o nada...
Não há – de fato – algo mais terrível e verdadeiramente doloroso do que a negação de todas as possibilidades que antecedem o “nada”.
E já que a dor é o preço que se paga pela chance espetacular de existir, desejo que você ouse, que você pare de se defender o tempo todo e ame, dê o seu melhor, faça tudo o que estiver ao seu alcance, e quando achar que não dá mais, que não pode mais, respire fundo e comece tudo outra vez...
Porque você pode desistir de um caminho que não seja bom, mas nunca de caminhar...
Pode desistir de uma maneira equivocada de agir, mas nunca de ser você mesmo...
Pode desistir de um jeito falido de se relacionar, mas nunca de abrir seu coração...
Portanto, que venha o silêncio visceral que deixa cicatrizes em meu peito depois das desilusões e dos desencontros... Mas que eu nunca, jamais deixe de acreditar que daqui a pouco, depois de refeita e ainda mais predisposta a acertar, vou viver de novo, vou doer de novo e sobretudo, vou amar mais uma vez... e não somente uma pessoa, mas tudo o que for digno de ser amado!


Este texto é da Rosana Braga
Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante
e Autora dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro" e "Amor - sem regras para viver", entre outros. Já tinha inserido este texto um tempo atrás. Um amigo me falou sobre isto ontem e achei pertinente reapresentá-lo, pois com certeza, será de grande valia para quem ja conhece e para os que o leram pela primeira vez.

21 fevereiro 2011

Sonhos perdidos

Sonhos perdidos
Despertos, esquecidos
Sonhos insanos, cruéis.
Falecidos
Sonhos milionários
Simples, modestos
Sonhos sinceros e complexos
Sonhos escondidos
Por trás de um disfarce
Que se revelam no vermelho da face
Deslocam-se por multi-classes
Sonhos perdidos
Encontrados em abrigos
Sonhos tão certos e tão indecisos!



Nandha Franklin

Aqui eu te amo!!!

Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.
Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante. Isto é um porto.
Aqui eu te amo.
Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,  que correm pelo mar rumo a onde não chegam. Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta.
Eu amo o que não tenho.
E tu estás tão distante.
Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.

Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.
Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento, querem cantar o teu nome,  com suas folhas de cobre.

Pablo Neruda

18 fevereiro 2011

É assim que te quero, amor.

É assim que te quero, amor, assim, amor, é que eu gosto de ti, tal como te vestes e como arranjas os cabelos e como a tua boca sorri, ágil como a água da fonte sobre as pedras puras, é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine, mas antes que não me falte em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde vem nem para onde vai, apenas quero que a luz alumie, e também não peço à noite explicações, espero-a e envolve-me, e assim tu pão e luz e sombra és.
Chegastes à minha vida com o que trazias, feita de luz e pão e sombra, eu te esperava, e é assim que preciso de ti, assim que te amo, e os que amanhã quiserem ouvir o que não lhes direi, que o leiam aqui e retrocedam hoje porque é cedo para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas uma folha da árvore do nosso amor, uma folha que há-de cair sobre a terra como se a tivessem produzido os nosso lábios, como um beijo caído das nossas alturas invencíveis para mostrar o fogo e a ternura de um amor verdadeiro.



Pablo Neruda

17 fevereiro 2011

Cada Lugar Teu

Sei de cor cada lugar teu atado em mim, a cada lugar meu tento entender o rumo que a vida nos faz tomar;
tento esquecer a mágoa;
guardar só o que é bom de guardar
Pensa em mim, protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou, sem ter defesas que me façam falhar nesse lugar mais dentro, onde só chega, quem não tem medo de naufragar
Fica em mim que hoje o tempo dói como se arrancassem tudo o que já foi e até o que virá e até o que eu sonhei;
diz-me que vais guardar e abraçar tudo o que eu te dei
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos e o mundo nos leve pra longe de nós e que um dia o tempo pareça perdido e tudo se desfaça num gesto só
Eu vou guardar cada lugar teu ancorado em cada lugar meu e hoje apenas isso me faz acreditar que eu vou chegar contigo onde só chega quem não tem medo de naufragar.

Mafalda Veiga

15 fevereiro 2011

Saudade

"Saudade é solidão acompanhada,  é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade, aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido..."

Pablo Neruda

14 fevereiro 2011

Amar....

Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que,  na brisa marinha, é sal, ou precisão de  amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,  o que é entrega ou adoração expectante,  e amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor,  um chão de ferro, e o peito inerte,  e a rua vista em sonho,  e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,  distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,  doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na  concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,  e na secura nossa amar a água implícita,  e o beijo tácito, e a sede infinita.



Carlos Drummond de Andrade

11 fevereiro 2011

Falando de saudades ...

Falando de saudades ...
Ah! A minha é sempre pulsante
Às vezes , deixa-me triste, pensativa
Mas também , leva-me ao êxtase ...
Traz-me de volta os amigos,
A família, os amores
O coração acelera
A felicidade impera
Aí ... Sou toda paixão
Emoção, coração .
Falando de saudades ...
Momentos que marcaram
Que se eternizaram
Rabiscos, rascunhos
O sonho colorido
Às vezes desbotado
A primeira namorada
O primeiro beijo
A primeira vez ...
Ah! É bom lembrar !
Sentir saudades ...
E bom viver !!!


Sandra Lamego

10 fevereiro 2011

Pés na estrada

Ontem chorei.
Por tudo que fomos.
Por tudo o que não conseguimos ser.
Por tudo que se perdeu.
Por termos nos perdido.
Pelo que queríamos que fosse e não foi.
Pela renúncia.
Por valores não dados.
Por erros cometidos.
Acertos não comemorados.
Palavras dissipadas.
Versos brancos.
Chorei pela guerra cotidiana.
Pelas tentativas de sobrevivência.
Pelos apelos de paz não atendidos.
Pelo amor derramado.
Pelo amor ofendido e aprisionado.
Pelo amor perdido.
Pelo respeito empoeirado em cima da estante.
Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa.
Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados.
Pela culpa.
Toda a culpa.
Minha.
Sua.
Nossa culpa.
Por tudo que foi e voou.
E não volta mais, pois que hoje é já outro dia.
Chorei.
Apronto agora os meus pés na estrada."

Caio F. Abreu

09 fevereiro 2011

Duas bolas, por Favor

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido. Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta./
Tem vontade de ficar em casa vendo um dvd, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar./
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo “errado”.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia...
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate...
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.

Danuza Leão

08 fevereiro 2011

Sina.

Quando eu era menina,
a verdade parecia estar nos livros: ali moravam as respostas e nasciam os nomes.
Quanto mais procurei, mais me perdi na trilha das indagações: as respostas não vinham, a verdade era miragem, a busca era melhor que a descoberta, e nunca se chegava.
(Viver era mesmo sentir aquela fome.)


Lya Luft

07 fevereiro 2011

O céu e o Inferno

Conta-se que, certo dia, um samurai, grande e forte, conhecido pela sua índole irascível, foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas dúvidas.
-- Monge, disse o samurai com desejo sincero de aprender, ensina-me sobre o céu e o inferno.
O monge, de pequena estatura e muito franzino, olhou para o bravo guerreiro e, simulando desprezo, lhe disse:
-- Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo. Seu mau cheiro é insuportável. Além do que, a lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a sua classe.
O samurai ficou transtornado. O sangue lhe subiu à cabeça e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha era sua raiva.
Com os olhos crispados, empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.
-- "Aí começa o inferno", disse-lhe o sábio mansamente.
O samurai ficou imóvel.
A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara.
Afinal, arriscarra a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno. O ferroz guerreiro abaixou lentamente a espada e agradeceu ao monge pelo valioso ensinamento. O velho sábio continuou em silêncio. Passado algum tempo o samurai, já com o ânimo pacificado, pediu humildemente ao monge que lhe perdoasse o gesto infeliz.
Percebendo que seu pedido era sincero, o monge, então, lhe falou: "Aí começa o céu".
Para nós, resta a importante lição sobre o céu e o inferno que podemos construir em nosso próprio íntimo.
Tanto o céu quanto o inferno, são estados de ânimo, que nós mesmos escolhemos em nosso dia-a-dia.
A cada instante somos mobilizados a tomar decisões que definirão o início do céu ou o começo do inferno. É como se todos fôssemos portadores de uma caixa invisível, onde houvesse ferramentas e materiais de primeiros socorros.
Diante de uma situação inesperada, podemos abri-la e lançar mão de qualquer dos objetos disponíveis em seu interior.
Assim, quando alguém nos ofende, podemos empunhar o martelo da ira ou usar o bálsamo da tolerância.
Atacados pela calúnia, podemos usar a foice do revide ou a pomada da autoconfiança.
Quando a injúria bater em nossa porta, podemos usar o aguilhão da vingança ou o óleo do perdão.
Diante de enfermidade inesperada, podemos lançar mão do ácido corrosivo da revolta ou empunhar o escudo da confiança.
Enfim, surpreendidos pelas mais diversas e infelizes situações, poderemos sempre optar por abrir fossos de incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos possibilite uma solução feliz.
A decisão depende sempre de nós mesmos.
Somente de nossa própria vontade decorrerá o nosso estado de ânimo.
Portanto, criar portais para o céu ou cavar abismos para o inferno em nosso íntimo, é algo que não depende de ninguém, pois somos os únicos responsáveis.


(A.D)

04 fevereiro 2011

Tenho saudades de que?

Tenho saudades de que?
Dos carinhos em profusão, dos beijos em conversação, das carícias ao pé do ouvido antes do sono chegar, agarrada ao teu corpo como se fôssemos uma extensão um do outro?
Tenho saudades de que?
De acordar ao teu lado, te abraçar apertado, de fazer café do jeito que a gente gostava, de ler o jornal, comentar as notícias, de te ver indignado com a violência do dia-a-dia, de te ver reclamando sempre que nosso time perdia?
Tenho saudades de que?
Das flores e jardins que vimos crescer?
Da casa que pintamos com todas as cores, dos móveis que restauramos, da horta que não cuidamos?
Tenho saudades de que?
Das nossas brigas, do cheiro do seu suor ao fazer amor, do jeito que chorava quando te consolava, do jeito que dizia me amar?
Não.Eu não tive a chance de viver nada disso.
Tenho saudades de que, então?
Talvez de quem eu era, do que eu sentia, do que eu sonhava, do que eu queria (tanto!), do que eu acreditava que seria possível...da banda de musica que passava por volta da meia-noite próximo ao natal, ou talvez da lua que olhamos um dia, ao mesmo tempo, mesmo na distância...
Tenho saudades de você?
Não exatamente, porque isto não seria possível.
O fato é que a lembrança da fantasia que criamos ainda me faz chorar.
O fato é que sinto saudades do que aconteceu apenas no meu coração, até mesmo quando minha alma descobriu que tudo não passou de ilusão.
Então...
Sinto saudades de um amor imenso nunca concretizado e massacrado pela espada da indiferença.
Existe dor maior?
Não sei, pra mim foi a pior.




Du

03 fevereiro 2011

Como todos não creio no que creio

Sou vil, sou reles, como toda a gente,
Não tenho ideais, mas não os tem ninguém.
Quem diz que os tem é como eu, mas mente.
Quem diz que busca, é porque não os tem.
É com a imaginação que eu amo o bem.
Meu baixo ser porém não mo consente.
Passo, fantasma do meu ser presente,
Ébrio, por intervalos, de um Além.
Como todos não creio no que creio.
Talvez possa morrer por esse ideal.
Mas, enquanto não morro, falo e leio.
Justificar-me?
Sou quem todos são...
Modificar-me?
Para meu igual?...
- Acaba lá com isso, ó coração!


Fernando Pessoa

02 fevereiro 2011

SEDUZ-ME

Seduz-me com teu olhar
Assim faz me encantar
No encanto está a sedução
Ai se encontra o coração
No meio da decisão
Temos o amor entregue na mão
Seduz-me com teu lindo sorriso
Faz encontrar o meu paraíso
Atira-me um lindo beijo
Porque é esse o meu desejo
Fala-me amor
Tudo fica a nosso favor
Seduz-me com imaginação
Estarei a favor do teu perdão
Porque pecado feito de ilusão
Tem que lutar pela sua paixão
Seduz-me e não me esqueças
Diz meigas palavras
Diz novamente o meu segredo
Fala do meu corpo
Do meu cheiro
Do meu gosto
Do meu falar
Do meu amar
Meu medo
Seduz-me!
Faz-me sentir o amor
Tua paixão
Deixa-me sentir teu coração
Essa doce melodia
Fala rasga-me
Seduz-me todo dia
Mata nosso desejo
Na nossa cama, no nosso leito
Com essa nossa canção
Seduz me como uma poesia
Sente-me perto de ti
Seja noite ou dia
Não me esqueças
Envia-me beijos
Poemas e amor
Envia teu corpo
Mata esta dor da saudade
Para não me sentir só
Não libertes meu amor,
Tem dó.
Seduz-me com muito amor…

Sonho solitario

01 fevereiro 2011

Se pudéssemos escolher apenas uma alternativa...
O que seria mais importante?
Amar ou Ser Amado?
Por mais que pensemos...Fica realmente difícil encontrar uma resposta...
Mas podemos tentar...
Vamos presumir que a alternativa escolhida fosse Amar...
Como é bom Amar...
Sentir o coração bater mais forte...
As mãos frias e trêmulas...as pernas fracas...
O sorriso nos lábios...Sim, porque o sorriso faz parte do amor e como faz!
Quando amamos, temos o privilégio de sorrir mais...
Sorrimos até quando estamos parados, com o pensamento longe...
Sorrimos das próprias lembranças que esse amor nos traz...e muitas vezes, quando nos damos conta...
Estamos lá, não importa aonde...Mas estamos com o sorriso nos lábios...Até mesmo parados no farol a caminho de casa...No meio de um trabalho...
Quem estiver prestando atenção na gente... provavelmente não vai entender nada...
Mas, se essa pessoa também já amou alguma vez na sua vida...
Ah, com certeza vai entender porque estamos assim... e vai sorrir também só em lembrar como ela já ficou um dia por causa do amor...
Quando pensamos na pessoa amada,uma enorme sensação de leveza vai tomando conta do nosso corpo...Da nossa mente...da nossa alma...assim, sem pedir licença...
Mas é uma sensação tão maravilhosa que não importa, ela é tão boa que não precisa mesmo pedir licença...pode ir entrando e tomando conta do nosso ser...
Sensação de plenitude...
E, agora, vamos pensar na outra escolha...
Ser amado...Como é maravilhoso também saber que existe alguém que nos ama...
Que se importa conosco...Que se preocupa com tudo o que nos possa acontecer...Que teme que nos aconteça algo de errado...
A pessoa que nos ama está sempre vigilante...Tentando nos proteger de situações que poderiam nos machucar, e consequentemente machucar a esta pessoa também, sim, porque não podemos nos esquecer de tudo que foi dito anteriormente sobre amar...
Quando somos amados, se algo de errado nos acontece, o ser que nos ama sofre muito com isso, talvez sofra mais do que nós mesmos poderíamos sofrer...
O ideal seria escolher as duas alternativas Amar e Ser Amado, pois os dois sentimentos se completam
Mas, nem sempre é assim...
O ideal seria: Saber Amar e Ser Amado.
Mas isto é privilégio de poucos...talvez privilégio de quem já aprendeu muito com o amor, já cresceu muito com ele, e por isso talvez até consiga entende-lo melhor...
O ideal seria: Amar sem sufocar...
Amar sem aprisionar...Amar sem cobrar... Amar sem exigir...
Amar sem reprimir, simplesmente Amar...
E Ser Amado sem se sentir sufocado...Sem se sentir aprisionado...
Sem se sentir cobrado...Sem se sentir exigido...Sem se sentir reprimido Simplesmente Ser Amado!
Pois do que nos adiantaria Amar sem Ser Amado e Ser Amado sem Amar?


Gisilaine Andrade

31 janeiro 2011

o relógio do coração:

Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário mostrar que eles ficaram por anos em nossas agendas.
Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.
Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.
Há casamentos que, ao olhar para trás, mal preenchem os feriados das folhinhas.
Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembranças de horas.
Há eventos que marcaram, e que duram para sempre, o nascimento do filho, a morte do pai, a viagem inesquecível, um sonho realizado.
Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra “eternidade”.
Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo.
Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz eu estava na ocasião.
O relógio do coração – hoje eu descubro - bate noutra freqüência daquele que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida.
Pense nisso.
E consulte sempre o relógio do coração: Ele te mostrará o verdadeiro tempo do mundo.


Alexandre Pelegi

28 janeiro 2011

Abelhas...

Os pensamentos vão e vêm, constantemente;
e os bons, como as abelhas que procuram o néctar das flores para fazer o mel, partem em busca da felicidade.
Esses pensamentos trazem-lhe o "mel da felicidade", quando você tem boa apreciação da vida, aceita que há amor nas pessoas, que as dificuldades são mestras, que tem um bom futuro, que a vida é eterna e que Deus é o melhor que existe.
Fuja dos maus pensamentos.
Eles são abelhas que picam.
A sua felicidade cresce com os pensamentos positivos.

Tadeu Artur Cavedem

27 janeiro 2011

Eu Nada Sei...

Não sei escrever tudo o que sinto, mas sei sentir e com um amor imenso cada pedacinho da vida.
Não sei amar de morrer porque para mim amar é viver.
Não sei sonhar todos os meus sonhos, só sei sonhar o que o meu coração pede.
Não sei dar tudo de mim, mas me esforço para dar o que posso.
Não sei quase nada da vida, mas sei que é bom existir.
Não sei quase nada da vida, mas sei que é bom existir.
« Tudo o que eu sei é que a vida é linda e que enquanto houver um mínimo de ternura para oferecer, a vida vale a pena viver. »
 
Letícia Thompson

Borboletas...

As borboletas são flores que se desprenderam da terra… E as flores são borboletas que a terra apreendeu…”
Seja como for, se as flores marcam a primavera, as borboletas são seu símbolo maior.
São quatro fases da mesma vida: ovo, lagarta, crisálida e borboleta.
Enquanto ovo, é princípio vivo, puro.
Representa a potencialidade do ser, guardada dentro de um invólucro de heranças parentais.
- É fundamental para desenvolver a solidez das bases estruturais do indivíduo. Mas num determinado momento, torna-se necessário romper com essa capa de proteção, para caminhar sobre as próprias pernas.
A lagarta tem o aprendizado da terra, do rastejar, das coisas que se processam lentamente. -Simboliza os cuidados com o mundo físico, com os aspectos materiais que compõem a existência cotidiana. Pode ser o lado pesado da vida.
A crisálida é o encapsular para gestar.
– É como se retornasse ao estágio do ovo, mas só que por escolha pessoal. É criar um casulo para si mesmo, como forma de conectar-se com seus sentimentos, sua interioridade e seus próprios desejos.
E, finalmente, as asas libertam a borboleta!
– Mas, para se chegar à borboleta, é preciso superar o conforto e a comodidade do “já conhecido”…
É preciso deixar morrer o velho e partir ao encontro das possibilidades em aberto, sem certezas, sem garantias.
A borboleta é a lição viva de que tudo é passageiro.
Assim também somos nós…
Uns vivem para sempre no ovo…
Outros jamais passam de lagarta…
E tem gente que vive gestando um sonho, um ideal, mas sem nada realizar…
Ainda existem aqueles que, com esforço, se libertam, ganham asas e voam leves! Pousam aqui e ali, no colorido das flores, e só de existir fazem a vida mais bela!
Identifique em que fase você está e observe como fazer para processar a sua metamorfose.
Viver é cumprir fase por fase.
Desapegar-se do antigo e entregar-se ao novo até ser capaz de voar.Desperte e tente uma nova forma!
Deixe acontecer em você esse misterioso processo de se abrir para florescer!
Deixe aparecer suas asas, suas melhores cores, seu vôo!

Rudolf Steiner

26 janeiro 2011

Canção como aviso

As minhas emoções estão intactas como antes de acordar: serenas nesta solidão, nem sei se esperam.
Será preciso alimentar de novo a chama adormecida do amor que armou incêndios na penumbra e me apagou.
Estou aqui ainda,
enriquecida a mais com as memórias doces da alegria.
Para me alumiar,
quem venha agora terá de compreender o meu receio de que seja longa só a fantasia e breve a permanência de quem veio.

Lya Luft

25 janeiro 2011

Arrependimento

Ai, se eu pudesse, se pudesse agora
Travar esta corrida para a morte,
Apontaria, à vida, um outro norte
Que eu quisera nunca dar outrora.
Por isso, este remorso que apavora
E me consome... é cada vez mais forte …
E não há nada que me trave ou corte
Esta mágoa que, em mim, há muito, mora!
Colocaria toda a luz em meu viver…
E nunca, nunca mais queria ver
Essa ilusória imagem da ventura…
Se ela surgisse agora, em meu caminho,
Não voltaria a ter o meu carinho,
Mas, sim, o fel de toda esta amargura !


Jose Maria L. de Araujo

24 janeiro 2011

Não entendo

Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector

22 janeiro 2011

Continue pensando assim

Não me peça pra ficar sabendo que o controle não é seu e nem meu
E sempre estarei aqui, quando você precisar de mim.
Você me ama exatamente como eu gostaria
Faz o mundo girar ao meu redor
Vê como a vida está mais bela, só mudou sua forma de olhar.
Vê como a vida está mais bela
Continue pensando assim.
Você quer ser melhor pra mim
E acaba melhor pro mundo.
E acaba melhor pra tudo.
Fale somente o essencial, a vida se encarrega dos encontros.
E sempre estarei aqui, quando você precisar de mim.
Deixe o futuro pra o futuro...
Tudo sempre vai retornar
Continue pensando assim.
Você quer ser melhor pra mim
Acaba melhor pro mundo, e acaba melhor pra tudo.
Continue pensando assim...


Penélope & Samuel Rosa

21 janeiro 2011

Nos Braços da Saudade

Levantei com uma impressão de que meu dia seria péssimo, uma angústia invadia meu peito, sentia falta de ar. Uma dor me incomodava, não sabia o que fazer, já estava prevendo que tudo que faria seria mal acabado.
Resolvi, então, passar o tempo em frente ao computador para ver se aquela angústia evadia-se, foi pior!
As lágrimas teimavam em rolar pelo rosto e então percebi que se tratava de saudade.
Revirei todas mensagens de auto-estima, ouvi músicas, e a solidão tomou conta de todo o meu ser.
Voltei ao meu passado e, lembranças daquele amor que marcou minha vida vieram à tona.
Saudade daqueles beijos apaixonados, daquelas juras de amor eterno.
Quantas saudades afloraram em meu viver!
E hoje, nem eu me acho!
Agora, decorrido todos esses anos de espera, de lembranças, de saudades, não vislumbro mais sua imagem, e, restam-me a angústia e a solidão.
Quisera poder voltar no tempo e reparar o que não foi reparado!
Quisera poder voltar no tempo e dizer novamente o quanto eu te amo!
Quisera poder voltar no tempo e dizer o quanto você faz falta!
Como seria maravilhoso poder ouvir sua voz novamente, sentir seu cheiro e deitar em seus carinhos.
O tempo passou, tudo se modificou, e a vida segue seu curso normal, carregando no seu seio a minha saudade.
Hoje procuro sufocar minha dor sabendo que desejo para quem mais amo na vida a felicidade plena.
Pois, devemos oferecer para quem realmente amamos o melhor.
E por mais que toda a angústia me devora, todas as lágrimas caiam de meus olhos, eu sempre a amarei.
Então, continuo vivendo com a dor da saudade, mas carregando no coração as lembranças de seu sorriso, de seu cheiro e de sua voz.
Passe o tempo que passar, saiba que sempre, ainda, vou te amar.
E, hoje, me aconchego, me deito e me deleito nos braços da saudade.


Soélis Sanches

20 janeiro 2011

Maringá FM - 30 anos

Esta foi a logo escolhida pra representar o inicio da festa que marcará os 30 anos da Maringá FM, a ser comemorado no mês de outubro.
Mais os shows estão começando. Proximo dia 06 de fevereiro, muita festa em Maringá.


19 janeiro 2011

Sumi

Sumi porque só faço besteira em sua presença.
Fico muda quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico.
Sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência.
Pareço desinteressada, mas sumi para estar para sempre do seu lado.
A saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência.”


Martha Medeiros

A Vida

Por muito tempo eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade.
Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de começar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga.
Aí sim, a vida de verdade começaria.
Por fim, cheguei a conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade.
Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade.
A felicidade é o caminho.
Assim, aproveite todos os momentos que você tem.
E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar,
Especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém.
Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade;
até que você volte para a faculdade;
até que você perca 5 quilos;
até que você ganhe 5 quilos;
até que você tenha tido filhos;
até que seus filhos tenham saído de Casa;
até que você se case;
até que você se divorcie;
até sexta à noite;
até segunda de manhã;
até que você tenha comprado um carro ou uma casa nova;
até que seu carro ou sua casa tenham sido pagos;
até o próximo verão, outono, inverno;
até que você esteja aposentado;
até que a sua música toque;
até que você tenha terminado seu drink; até que você esteja sóbrio de novo;
até que você morra.
E decida que não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo...
Lembre-se: "Felicidade é uma viagem, não um destino".

Henfil

18 janeiro 2011

Quero solidão...

Por mim, e por vós, e por mais aquilo que está onde as outras coisas nunca estão deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:  quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão. - Por não ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras ?
Tudo.
Que desejas ?
Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão.

Cecília Meireles

17 janeiro 2011

Engano

Não me olhes mais assim que eu quero ver
Outra alegria, em teu magoado olhar …
Não me olhes mais assim, que eu vou perder
O Bem que trago, em mim, para te dar! …
Toda essa angústia que te faz sofrer,
Toda essa dor que te anda a atormentar
São mistos de amargura e de prazer
Que, na vida, jamais te irão deixar!
De mágoa, pela tua solidão …
De prazer, porque te enche o coração
Uma forte esperança de ventura …
Tudo isso é transitório e enganador;
Embora brilhe o Sol, com muito ardor,
Vai-se depressa … e volta e a noite escura!

José Maria Lopes de Araújo